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A eliminação vexatória do Brasil na Copa do Mundo Feminina

  • Foto do escritor: Gabriel Segantini
    Gabriel Segantini
  • 2 de ago. de 2023
  • 4 min de leitura

Voltaremos mais fortes e mostraremos ao mundo o nosso poder


Foto: Thais Magalhães/CBF

Na manhã desta quarta-feira (2), o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo Feminina na fase de grupos depois de uma derrota vexatória contra a Jamaica, no estádio Estádio Retangular, em Melbourne, na Austrália. A Seleção Brasileira chegou à última rodada da competição precisando vencer por qualquer placar para se classificar, porém a atuação canarinho foi muito abaixo do que vinha apresentando, como, por exemplo, na primeira rodada do torneio contra o Panamá, quando ganhou por 4 a 0.


No primeiro tempo, as jogadoras brasileiras dominaram as ações da partida com posse de bola e criando chances, mas não conseguiram converter as oportunidades em gol. Naturalmente, conforme o relógio avançava, o Brasil corria contra o tempo para botar a bola no fundo da rede. A ansiedade e nervosismo tomaram conta das jogadoras e refletiram no desempenho dentro do campo. O segundo tempo foi terrível. A seleção canarinho continuava com a posse de bola, mas, desta vez, não conseguia criar nenhuma jogada. Foram diversos passes errados, seja por falta de técnica ou pelo estresse de não estar conseguindo êxito. As tomadas de decisões não condiziam com a qualidade das nossas jogadoras; sempre escolhendo a opção que estava marcada, às vezes por duas jamaicanas, ou optando pelo passe mais difícil ao invés de parar, acalmar, olhar e recomeçar o jogo.


A Jamaica estava na retranca para segurar o resultado e com isso, quando recuperava a bola em sua defesa, entregava a posse para o Brasil. A nossa seleção não aproveitava essas situações e se desfazia da bola com lançamentos - diversos, principalmente no segundo tempo - e passes errados. A Seleção Brasileira não soube jogar controlando e tendo a posse.


Algumas jogadoras em específico tiveram um rendimento muito abaixo. O caso mais gritante, para mim, é da atacante de 31 anos, Debinha. A camisa 9 da seleção errou tudo que tentou. Tudo. No segundo tempo, momento da partida em que a Seleção mais precisava marcar um gol, Debinha tentou duas jogadas de calcanhar e uma de letra, culminando na perda da posse de bola. Além de, assim como o resto da equipe, tomar diversas decisões erradas e passes equivocados. Outra atacante que rendeu muito abaixo, não só nesse jogo, mas como em toda a Copa do Mundo foi Bia Zaneratto. Óbvio que o gol dela na primeira rodada foi importante, mas esperava-se muito mais da jogadora palmeirense no torneio. Contra a Jamaica também errou tudo que tentou e teve uma atuação apagada. A maior jogadora da história, referência da modalidade e artilheira do torneio, Marta, também teve uma partida abaixo do que pode apresentar. Já com 37 anos e em sua última Copa, a meio campista poderia ter uma atuação com maior destaque, uma vez que começou o jogo como titular, diferentemente das últimas duas partidas, quando jogou apenas 15 minutos.


Mas as jogadoras não são as únicas responsáveis pela eliminação vexatória da Seleção Canarinho. A treinadora Pia Sundhage teve uma influência muito grande na derrota do Brasil. A sueca demorou muito para mexer no time que estava sofrendo para criar jogadas e fazer gol na Jamaica, seleção que precisou da filha do Bob Marley para conseguir ter recursos para ir à Copa do Mundo e que foi derrotada pelo Brasil na última edição do torneio, em 2019, por 3 a 0. Pia foi mexer na equipe aos 78 minutos de jogo colocando Geyse, Duda Sampaio e Andressa Alves. A técnica morreu abraçada com suas convicções de estilo de jogo que claramente não estavam funcionando e sacrificou jogadoras pela maneira de jogar; na qual só abdicou faltando 10 minutos para acabar a partida.


Como o Brasil precisava de gols para se classificar, só me veio um nome a mente: Cristiane Rozeira de Souza Silva, a matadora, que em 2012 tornou-se a maior artilheira do futebol feminino da história dos Jogos Olímpicos e em 2016, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, quando recebeu o título de maior artilheira do futebol em Jogos Olímpicos, independente de gênero, com a marca de 14 gols. Além de ser goleadora nata, a "mamãe Cris" como é apelidada, é a segunda maior artilheira da história da Seleção, com 96 gols. Como a Pia substituiu faltando 12 minutos para acabar o jogo, acredito que a Cris seria uma ótima opção para buscar o gol que o Brasil tanto precisava. Em entrevista ao programa Conversa com Bial, a centroavante disse que não entende a falta de espaço na equipe nacional sob o comando de Pia Sundhage.


Na coletiva pós-jogo, Pia admitiu que demorou para fazer as substituições, mas como ela mesmo disse: "Foi tarde demais". As palavras da zagueira Rafaelle, na zona mista, também foram acintosas em relação ao trabalho da sueca: "Se tiver alguém com mais qualidade, o futebol feminino merece isso". O que prova que o ciclo da treinadora não é unanimidade dentro da seleção.


Mesmo com o pior resultado em Copas desde 1995, quando a seleção foi eliminada na fase de grupos do torneio, há pontos positivos a serem destacados. A entrada da Geyse, mesmo que tardia, mudou o jogo pelo fato dela ter o 1 contra 1 muito forte. A atuação da linha de 4 do Brasil, tirando o jogo contra a França, foi bem sólida. Com destaque para as laterais Tamires e Antônia que demonstraram ter uma qualidade acima da média. Fora a zagueira Rafaelle que demonstrou muita segurança na defesa. E, para mim, os maiores destaques: Kerolin e Duda Sampaio. A dupla do meio campo brasileiro é muito consciente e possui uma qualidade acima da média para sair jogando, quebrar linhas, achar um passe diferente e recuperar a posse de bola. Sem contar a Ary Borges, que colocou 3 bolas para o fundo da rede como cartões de visitas nessa Copa do Mundo.


Claramente não esperava que o Brasil fosse campeão, muitas outras seleções como os Estados Unidos e França estão em um nível acima, mas também não contava com a eliminação precoce. Mesmo com a fraca Copa do Mundo da Seleção Canarinho, nós chegamos fortes para o próximo ciclo e, principalmente, para os jogos olímpicos de 2024. Uma certeza é: a Seleção Brasileira é maior que qualquer técnica ou qualquer eliminação. Voltaremos mais fortes e mostraremos ao mundo o nosso poder.


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Na Frequência da Torcida é o podcast apresentado por Gabriel Segantini e Yan Ney, estudantes de jornalismo da Uerj, que usam sua paixão pelo esporte para informar com leveza e criatividade.

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